sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Inarticulado, afásico, silencioso.


Há tristezas na nossa vida que simplesmente não têm dimensão palpável. Não são compreendidas por quem as vive. Não são compreendidas por quem vê quem as vive. Não são entendíveis, não são mensuráveis, não são nada senão tristezas. Não têm cura, não têm solução.
Ao longo das nossas vidas, vamos perdendo amigos, pais, tios, irmãos... cada dor, única; cada sensação, incrível. Cada rasgo no coração, uma cicatriz. Mas a dor de perda está sempre presente. As cicatrizes que ficam vão melhorando com o tempo que é tão relativo quanto a dor que se sente na perda.
Ao longo desta semana rezei intensivamente para que, na sua infinitude, Deus pudesse fazer acontecer O milagre. O milagre não aconteceu.
Perder alguém é uma merda. É uma merda quando foi um acidente de carro. É uma merda quando foi um cancro. É uma merda quando é de repente. É uma merda quando foi prolongado.
Não consigo classificar a dor de perda de outra forma.
Somos todos uns bichos com feitios e discussões, cenas maradas da vida que nos impedem de pedir desculpa mais vezes, de ser mais decentes uns com os outros.
Mas cruamente, a dor que sinto enquanto mãe por outra mãe, pela perda inacreditável - na sua acessão mais verdadeira – é impensável.
E enquanto penso em tudo isto, não consigo senão pensar que há horas em que coisas acontecem e nós, meros seres como outros, não podemos impedir.
Pela minha parte, só posso agora rezar para que Deus possa ajudar esta família, que sempre senti como minha – ainda que afastada – a lidar com esta dor, com este sofrimento. E que nos amemos muito mais uns aos outros, para que nestes momentos, possamos estar sempre presentes, fisica e psicologicamente. Queridos VC e K, seguimos juntos.