Há tristezas na nossa vida que
simplesmente não têm dimensão palpável. Não são compreendidas por quem as vive.
Não são compreendidas por quem vê quem as vive. Não são entendíveis, não são
mensuráveis, não são nada senão tristezas. Não têm cura, não têm solução.
Ao longo das nossas vidas, vamos
perdendo amigos, pais, tios, irmãos... cada dor, única; cada sensação, incrível.
Cada rasgo no coração, uma cicatriz. Mas a dor de perda está sempre presente.
As cicatrizes que ficam vão melhorando com o tempo que é tão relativo quanto a
dor que se sente na perda.
Ao longo desta semana rezei
intensivamente para que, na sua infinitude, Deus pudesse fazer acontecer O milagre.
O milagre não aconteceu.
Perder alguém é uma merda. É uma
merda quando foi um acidente de carro. É uma merda quando foi um cancro. É uma
merda quando é de repente. É uma merda quando foi prolongado.
Não consigo classificar a dor de
perda de outra forma.
Somos todos uns bichos com
feitios e discussões, cenas maradas da vida que nos impedem de pedir desculpa
mais vezes, de ser mais decentes uns com os outros.
Mas cruamente, a dor que sinto
enquanto mãe por outra mãe, pela perda inacreditável - na sua acessão mais verdadeira
– é impensável.
E enquanto penso em tudo isto,
não consigo senão pensar que há horas em que coisas acontecem e nós, meros seres
como outros, não podemos impedir.
Pela minha parte, só posso agora
rezar para que Deus possa ajudar esta família, que sempre senti como minha –
ainda que afastada – a lidar com esta dor, com este sofrimento. E que nos
amemos muito mais uns aos outros, para que nestes momentos, possamos estar
sempre presentes, fisica e psicologicamente. Queridos VC e K, seguimos juntos.