Quando é que se decidiu que se
podia maltratar pessoas diferentes de nós? Quando é que ficou estabelecido que
as mulheres são inferiores ou os homens são superiores? Quando é que se decidiu
que as pessoas de origens europeias, africanas, asiáticas, sul-americanas ou
norte-americanas são desprezíveis? Quando é que ficou escrito que “a partir de
agora, as mulheres são o elo mais fraco?” Desde quando é que podemos maltratar
os adultos e as crianças de outras cores/origens/géneros? Quando é que os homens passaram a
achar que as mulheres são violáveis? E
pior que isso, podemos fingir ajudá-las, na esperança vã que elas nos dêem
atenção, e quando não dão, podemos forçá-las a isso? Quando foi que passámos,
nós mulheres, a ser descartáveis?
- “Olha, vai ali uma miúda
bonita, vou pôr-lhe a mão no rabo.”
Tenho dois filhos rapazes. O que é que é
suposto eu dizer-lhes quando eles puderem ouvir e ouvirem notícias semelhantes
à da rapariga de 16 anos em Inglaterra? Eu, como Mãe, posso dar-lhes os melhores ensinamentos em relação a tudo, ao que é certo e ao que é errado. Posso dar-lhes as
ferramentas e rezar, e esperar, e continuamente educar para que eles façam sempre o
melhor com o que eu lhes dei. Mas não posso impedir que oiçam que há meninas
com 4 anos a ser forçadas a casar e a serem violentadas na noite do casamento, na Índia; que há raparigas com pouco mais que 9 anos a ser forçadas à
escravidão sexual em montanhas de países, como a Síria, por exemplo; que há centenas
de homossexuais de ambos os géneros a serem espancados(as), violados(as), atacados(as),
queimados(as) com ácido e mortos(as)...
E depois esperamos que os nossos filhos, herdeiros da próxima geração, não sejam bullies ou bullied, sejam tolerantes, amigos de todos, independentemente da sua aparência?
Quando é que passámos a tolerar
no singular - não tolerando no plural - que todas estas situações se passem no
Mundo que é nosso? No Mundo que partilhamos com todos os seres vivos, humanos e
não só? Quando é que passámos a ser gente
nojenta ao invés de ser gente decente? Desde quando é que ir à Igreja/Sinagoga/Mesquita
ou até mesmo não ir a lado nenhum deve ser olhado de lado? Desde quando é que
estamos certos por sermos brancos ou estamos errados por ser amarelos, azuis,
cor-de-rosa ou castanhos, ou vice-versa? Porque é que o facto de eu ter
maminhas deve querer dizer que uma pessoa que não conheço de lado nenhum pode julgar-me
pelas minhas escolhas de vestuário? Porque é que eu não posso ser, simplesmente
ser – não invadindo a liberdade dos próximos? Porque é que um homem acha que
tem direito a dizer e opinar sobre o que eu tenho - ou não tenho – vestido e
porque é que isso o força a tocar-me? E porque é que uma mulher há-de ter o
mesmo comportamento? Desde quando é que nós, enquanto seres que partilham a
mesma casa, devemos achar-nos no direito (ou dever) de nos metermos na vida dos
outros? Comentamos, diariamente, o que se passa à nossa volta, desde os
incêndios no nosso País, ao que diz o Sr. Presidente dos EUA (i.e. bardajonices). Em vez de comentarmos,
porque não agir em conformidade, contra ou a favor? Porque havemos nós de ficar
a comentar quando podemos levantar-nos e agir? Devemos nós ser inúteis e
formatados trabalhadores, que permitem que haja crianças na Síria a ser
gaseificadas com químicos? Quando é que passámos a deixar que se passem horrores
indiscritíveis na nossa casa? Se em vez de dizermos que foi na Índia, dissermos
que foi na nossa rua, (achamos que) devemos e podemos fazer qualquer coisa (e
faríamos, acontecendo), mas ali na freguesia vizinha, ficamos impávidos. Deixamos
que se assuma, diariamente e mundialmente, que os brancos têm mais importância, que as mulheres são mais fracas,
que a religião deve ser tratada com desprezo se não fôr a que é ditada pela
nossa consciência e/ou educação. Deixamos que haja sofrimento à volta de tudo o
que, no fundo, devia ser a nossa casa. Nunca nos passaria pela cabeça deixar
uma criança ser maltratada dentro de nossa casa, como não deixaríamos que
ardesse, ou que entrassem estranhos com explosivos. Porque é que estamos nós a
preocuparmo-nos cada vez menos uns com os outros e nos vemos apenas a nós? Porque não
há-de ser a nossa casa um Mundo tolerante, em que ser parte de outro país, religião, género,
ou origem, é pura e simplesmente, uma lufada de ar fresco no que de outra
maneira seria um Mundo aborrecido, em que somos todos iguais? Não devíamos TODOS exercer tolerância e permitir que
TODOS, independentemente, sejam(os) livres? Até quando vamos nós, todos igualmente pertencentes a este mundo,
permitir tanto? Até quando vamos deixar que haja pessoas que se auto-denominaram
reis do mundo façam o que lhes passa
pela cabeça, sem dizermos nada, sem fazermos nada? Até quando vamos deixar que
as gerações vindouras se comportem como as anteriores e esperar diferente?
“Make it
a better place, for you and for me and the entire Human race” - Michael
Jackson