segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tratemos do Mundo!

Quando é que se decidiu que se podia maltratar pessoas diferentes de nós? Quando é que ficou estabelecido que as mulheres são inferiores ou os homens são superiores? Quando é que se decidiu que as pessoas de origens europeias, africanas, asiáticas, sul-americanas ou norte-americanas são desprezíveis? Quando é que ficou escrito que “a partir de agora, as mulheres são o elo mais fraco?” Desde quando é que podemos maltratar os adultos e as crianças de outras cores/origens/géneros?  Quando é que os homens passaram a achar que as mulheres são violáveis? E pior que isso, podemos fingir ajudá-las, na esperança vã que elas nos dêem atenção, e quando não dão, podemos forçá-las a isso? Quando foi que passámos, nós mulheres, a ser descartáveis?
- “Olha, vai ali uma miúda bonita, vou pôr-lhe a mão no rabo.”
 Tenho dois filhos rapazes. O que é que é suposto eu dizer-lhes quando eles puderem ouvir e ouvirem notícias semelhantes à da rapariga de 16 anos em Inglaterra? Eu, como Mãe, posso dar-lhes os melhores ensinamentos em relação a tudo, ao que é certo e ao que é errado. Posso dar-lhes as ferramentas e rezar, e esperar, e continuamente educar para que eles façam sempre o melhor com o que eu lhes dei. Mas não posso impedir que oiçam que há meninas com 4 anos a ser forçadas a casar e a serem violentadas na noite do casamento, na Índia; que há raparigas com pouco mais que 9 anos a ser forçadas à escravidão sexual em montanhas de países, como a Síria, por exemplo; que há centenas de homossexuais de ambos os géneros a serem espancados(as), violados(as), atacados(as), queimados(as) com ácido e mortos(as)...
E depois esperamos que os nossos filhos, herdeiros da próxima geração, não sejam bullies ou bullied, sejam tolerantes, amigos de todos, independentemente da sua aparência?
Quando é que passámos a tolerar no singular - não tolerando no plural - que todas estas situações se passem no Mundo que é nosso? No Mundo que partilhamos com todos os seres vivos, humanos e não só? Quando é que passámos a ser gente nojenta ao invés de ser gente decente? Desde quando é que ir à Igreja/Sinagoga/Mesquita ou até mesmo não ir a lado nenhum deve ser olhado de lado? Desde quando é que estamos certos por sermos brancos ou estamos errados por ser amarelos, azuis, cor-de-rosa ou castanhos, ou vice-versa? Porque é que o facto de eu ter maminhas deve querer dizer que uma pessoa que não conheço de lado nenhum pode julgar-me pelas minhas escolhas de vestuário? Porque é que eu não posso ser, simplesmente ser – não invadindo a liberdade dos próximos? Porque é que um homem acha que tem direito a dizer e opinar sobre o que eu tenho - ou não tenho – vestido e porque é que isso o força a tocar-me? E porque é que uma mulher há-de ter o mesmo comportamento? Desde quando é que nós, enquanto seres que partilham a mesma casa, devemos achar-nos no direito (ou dever) de nos metermos na vida dos outros? Comentamos, diariamente, o que se passa à nossa volta, desde os incêndios no nosso País, ao que diz o Sr. Presidente dos EUA (i.e. bardajonices). Em vez de comentarmos, porque não agir em conformidade, contra ou a favor? Porque havemos nós de ficar a comentar quando podemos levantar-nos e agir? Devemos nós ser inúteis e formatados trabalhadores, que permitem que haja crianças na Síria a ser gaseificadas com químicos? Quando é que passámos a deixar que se passem horrores indiscritíveis na nossa casa? Se em vez de dizermos que foi na Índia, dissermos que foi na nossa rua, (achamos que) devemos e podemos fazer qualquer coisa (e faríamos, acontecendo), mas ali na freguesia vizinha, ficamos impávidos. Deixamos que se assuma, diariamente e mundialmente, que os brancos têm mais importância, que as mulheres são mais fracas, que a religião deve ser tratada com desprezo se não fôr a que é ditada pela nossa consciência e/ou educação. Deixamos que haja sofrimento à volta de tudo o que, no fundo, devia ser a nossa casa. Nunca nos passaria pela cabeça deixar uma criança ser maltratada dentro de nossa casa, como não deixaríamos que ardesse, ou que entrassem estranhos com explosivos. Porque é que estamos nós a preocuparmo-nos cada vez menos uns com os outros e nos vemos apenas a nós? Porque não há-de ser a nossa casa um Mundo tolerante, em que ser parte de outro país, religião, género, ou origem, é pura e simplesmente, uma lufada de ar fresco no que de outra maneira seria um Mundo aborrecido, em que somos todos iguais? Não devíamos TODOS exercer tolerância e permitir que TODOS, independentemente, sejam(os) livres? Até quando vamos nós, todos igualmente pertencentes a este mundo, permitir tanto? Até quando vamos deixar que haja pessoas que se auto-denominaram reis do mundo façam o que lhes passa pela cabeça, sem dizermos nada, sem fazermos nada? Até quando vamos deixar que as gerações vindouras se comportem como as anteriores e esperar diferente?

Make it a better place, for you and for me and the entire Human race” - Michael Jackson

quinta-feira, 27 de julho de 2017

...do Amor

Quando nos juntamos com alguém, achamos sempre que é para sempre. Todo o céu é azul, toda a terra está coberta de flores, todo o amor é cor-de-rosa. Temos sempre vontade de dar beijinhos na boca, temos sempre vontade de namorar, temos sempre um horror desmedido de parvoíces delico-doces para dizer. Namorar continua a ser, na minha humilde opinião, uma das coisas mais fixes! para fazer. Namorar pode ser dar beijinhos na boca. Mas pode ser conversar, pode ser passear, pode até ser tão simples quanto estar junto. Na minha casa e família, namorar é usufruir do amor que temos para dar e receber. E há muito lá em casa. É bom poder estar num jardim, a ver as crianças – nossas e dos outros – a correr, a brincar, a jogar à bola, a saltar à corda. É tão bom poder aproveitar esses dias, em que está tudo de bem com o Mundo, em que ninguém acordou com os pé de fora, ninguém está resmungão e maldisposto. Não acontece muitas vezes estarmos todos bem, obviamente. Somos 4, personalidades difíceizinhas com um total de 2 sagitários, 1 escorpião e um gémeos – que diz que tem sempre bom feitio e que nós é que somos venenosos. A verdade é que temos todos tanto de amor para dar como temos de refilice. Ainda bem, a maioria das pessoas que conheço acha que não temos cenas lá em casa. É esquisito porque não há nenhuma familia em que não haja cenas. Para mim, o importante é ser capaz de resolvê-las. Acima disso, NUNCA ir para a cama zangado/a/s, nem que para isso estejamos a conversar até à meia-noite.
Mas o amor, esse, nunca pode desaparecer. Acho que é muito importante sentir amor, pelo menos uma vez por dia. Mesmo que seja só um minuto, nesse dia já podes dizer que sentiste amor. O amor nem sequer precisa de ser romantico, pode ser pelos nossos filhos, pelos nossos amigos, pelos nossos pais, pelos nossos cães.
Vi, em várias alturas, o amor começar a ficar baço, em algumas relações. A deixar-se escapar entre os dedos, a escorregar, a fugir. Porque queriam os envolvidos que assim fosse, ou porque teriam, sabe Deus!, outros planos. Não acredito que o amor seja coisa que desaparece completamente, não quando é amor a sério. Não falo de relações que não prestam, em que há maus-tratos de parte-a-parte, em que as pessoas batem umas nas outras, fisíca e psicologicamente. Quando acontece, por exemplo, uma separação, o amor não desapareceu, acho eu. Modificou-se, alterou-se, passaram a querer-se outras coisas. E às vezes, essas coisas já não são ou incluíem a pessoa que está connosco. Isso só quer dizer que a evolução da vida nos separou num qualquer cruzamento. Mas o amor que se partilhou não desapareceu. Ninguém se esquece do seu primeiro amor, ninguém se esquece de quando perdeu a virgindade, do amor que sentiu nesta ou naquela altura. O primeiro beijinho na boca, o primeiro momento em que o coração bateu depressa, acelerou, caiu para o estomago e o nosso mundo mudou. Esse amor muda todos os dias, todos os meses, todos os anos. Mas não deixa de fazer bater mais depressa o coração, nós é que já não sentimos como diferente, sentimos como normal. Ainda bem que ainda há esse amor em nós, na nossa casa, na nossa família.

Como diziam os hippies, façam amor. Muito mais amor. E espalhem-no. No fim de tudo, quando já se disse tudo, já se viveu tudo, já estamos a partir, é só isso que levamos connosco. Por isso, mais vale fazer, dar, partilhar e receber muito. Para ir de coração cheio. De AMOR.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

"Celebrate"

Estou naquela altura do ano em que custa fazer tudo. Custa-me acordar, custa-me igualmente adormecer. As férias estão a chegar mas é a pior altura. Porque há malas para fazer, roupa para passar, a casa para limpar. Os miúdos ainda não acabaram a(s) férias/escola/colónia, estão de rastos eles próprios. Chegam a casa completamente estoirados, na marioria dos dias nem sequer querem nada. O F atira-se para a cama como se fosse feita de nuvens... o R não quer nada – nem banho, nem jantar, nem lavar o cabelo... tenho sentido que me tenho chateado mais com eles e agora apercebo-me que só pode ter que ver com o extremo em que estamos todos lá em casa. Gostava de ter mais tempo com eles durante o ano, mas a vida ainda obriga a estes horários levados da breca, em que às 6 da manhã já meia casa anda de pé e às vezes às 11 da noite a mesma meia casa ainda está de pé. Andamos todos neste leva-e-traz de cansaço. A minha bateria está neste momento abaixo dos 20%, faltam-me cerca de 5 horas de dia pela frente. A maior adversidade desta situação é que nunca dormimos o suficiente para carregar a bateria toda, carrega até aos 30%/40% e recomeça a loucura. Nos fins-de-semana temos aquela cena de que todos os pais se queixam “nos dias de semana ninguém os tira da cama, ao fim-de-semana levantam-se às 6h50m/7h... Ninguém merece. Nós fazíamos o mesmo: levantar cedo, ligar a televisão, esperar pelo relógiozinho chegar às 7, começarem as “ondinhas” da Sic, “os segredos que sabemos e as palavras escondidas...” e pronto, estava feita a melhor parte da manhã. Os nossos filhos não precisam disso, há montanhas de canais dedicados quase exclusivamente a encher os miúdos de desenhos (não muito) giros. Mas a excitação de ir pedir aos pais para ligar a televisão é a mesma, como se fosse uma coisa normal acordar os pais para isso a um Sábado (!!!).


As férias estão a ser muito necessitadas, para nós e para eles. Há muitas coisas que ainda há para fazer. Não quero ter de limpar tudo, fazer malas, passar pilhas de roupa em ponto pequeno a ferro, dar os recados de Mãe a eles e aos Avós, ter de ir pôr e ter de ir buscar. E tudo para ainda ter de esperar umas 3 semanas para eu desligar o crânio temporariamente. Quero ir já! Dóiem-me as pernas como se estivesse de pé o dia todo, tenho as covinhas dos olhos manchadas de cinzento claro, o meu cabelo está espigado, tenho as unhas numa miséria. É. Chegou mesmo aquela altura do ano em que nada se parece com o que devia. A melhor parte desta altura do ano é o facto de não haver muita gente nesta nossa (MINHA) Lisboa, por isso em vez dos customários 30 a 40 min no transito, estou 10 a 15. Porreiro, hã? Não dura muito, porque depois vou fugir da cidade no único mês do ano em que viver em Lisboa é a cena mais fixe! Não há filas de transito, nem nos cinemas, ir ao Colombo não é horrivel, infernal, a loucura, estar até tarde na praia não tem mal porque a marginal parece domingo às 6 da manhã, todos os dias, todo o dia. Ainda hoje é quarta-feira, mas a melhor notícia é que é quase sexta, e isso significa que chegámos – praticamente – a Agosto... e estamos vivos e saudáveis e felizes e satisfeitos... podres de exaustão mas felizes. Lá chegaremos também ao fim. Por hora, vivam as férias!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os (meus) miúdos

Adoro ter filhos rapazes. Não tenho - obviamente! - nada contra raparigas, mas adoro ter filhos rapazes. São queridos com as Mães. Muito queridos. Atiram-se para cima de nós, seja qual fôr o estado de espírito e enchem-nos de amor. Sentam-se em cima de nós, rebolam connosco e sentem-se reconfortados com isso. Tenho a sensação que não interessa a idade que tenham, hão-de sempre achar que sou feita de borracha. Os (meus) rapazes são uma criaturas fantásticas. São pessoas cheias de bom coração, cheias de atitude. Acho que vêm o Mundo de uma maneira mais simples, ou mais directa, talvez. Sempre vi os meus amigos rapazes a resolverem cenas entre eles rapidamente com uma bofetada (ou outro sinónimo menos porreirinho para quem o leva). Acho que nisso, os rapazes são mais fáceis. Nunca consegui dar uma bofetada a uma amiga – ao invés, ficava retorcida, deixava de falar, metida a besta. Odeio isso. Acho que sempre me dei melhor com rapazes porque me via mais com facilidade nesse lugar do que o de menininha amuada. Não é que não amuasse – e continue a fazê-lo – mas é mais fácil ultrapassar a cena como eles fazem. A mim parece-me que sim, visto do meu lugar. Os rapazes acham que a(s) Mãe(s) é (são) feita(s) de um poder todo ele ultra-mega-hiper qualquer coisa. Vejo isso nos sobrinhos meus e emprestados, todo esse fascínio. Os olhos deles com o Pai, enchem-se de aventuras, de desenhos malucos, de loucuras voadoras, de castelos e soldados e coisas de rapaz. De desenhos animados que eu como Mãe, fujo a sete pés, tipo os PJ Masks, de que não sou fã. Mas eles, eles brincam aos PJ patetas, usam o Super-Poder de Réptil, de Gato ou voam como a Corujinha. Eu rio-me imenso com eles porque faço uma espécie de insulto aos desenhos animados e eles ficam fulos. Mas depois gozam também e riem-se comigo. Temos coisas que só nós fazemos, como o F, que se senta à minha frente à mesa e põe os pés descalços e normalmente GELADOS em cima das minhas pernas. Quando me zango com ele, responde-me que está a dar festinhas à Mãe. Ou o R, que não dorme bem se não me apertar até me saltarem os olhos das órbitas, porque “a Mãe gosta muito dos meus abracinhos”. É a verdade absoluta. Enquanto andavam os dois no Jardim de Infância chegava a estar 15 min para os deixar, porque “só mais um beijinho” ou “a Mãe pode vir buscar-me mais cedo?” ou “Mãe, hoje podemos ir só os dois para casa?”
De facto, não há nada como ser Mãe destes seres. Os meus principes, que me lambuzam toda quando me dão beijinhos, que querem sempre só mais cinco minutos de desenhos animados, ou convidar a troupe toda lá para casa às 18 de uma segunda-feira, quando tudo o que eu quero é ir directa para a cama, que só pedem coisas malucas para jantar tipo pão de pizza (house speciality under a lot of secrecy) ou o pão de hamburguer que a Mãe faz ou tartes de fiambre e queijo porque “eu não gosto de cogumelos, Mãe”. Eles são os melhores filhos e espero que sejam sempre. Mais que tudo espero que se venham a tornar os meus melhores filhos-amigos. Porque saiem ao Pai e têm um coração de ouro. Quando me zango e me dizem “A Mãe é má” eu normalmente respondo “má, feia, bruxa e carocha”. E eles correm para mim e dizem SEMPRE “a Mãe não é má, nem feia, nem bruxa, nem nada!a Mãe é a mais querida”. Como pode o pobre coração de Mãe não derreter, não ceder, não esquecer? Serei sempre a princesa deles.
Eu tenho três rapazes em casa. Também queriam? Não dou. São meus - mesmo quando às vezes os cedia temporariamente - só nos dias maus...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A propósito do "Dia dos Amigos" (ou toda a lamechice possível)

(Nunca fui muito de frases feitas. Gosto muito de ouvir e ler o que têm para me dizer os maiores escritores - e os menores também. Adoro literatura cor-de-rosa mas também adoro literatura dos outros tipos. Acho que os livros podem ser muitas vezes amigos que nos levam a passear. Lembro-me da primeira vez que li o “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e da loucura de chegar ao fim... Para depois passar quase um ano à espera do seguinte!) Tudo isto para dizer que citações não são muito a minha cena mas acho que para este caso posso fazer uma:

“A friend is someone who gives you total freedom to be yourself.”
Jim Morrison

Tenho um amigo que é assim. Há coisas que sentimos que não devemos dizer aos outros, nem sequer quando é o nosso melhor amigo. Eu tenho um amigo com quem posso falar.sempre, e de tudo. Posso dizer-lhe TUDO. Esse meu amigo é uma pessoa cheia de estrelas. Não são cinco nem são dez. São montes de estrelas. Raramente acontece querer zangar-me com ele. É um amigo que está sempre próximo. É um amigo que dá abraços de urso. É tão meu amigo, que às vezes acho que está aqui ao pé de mim e começo a falar sozinha. Este amigo tem sempre coisas queridas para me dizer. É sempre sorridente – mas não de manhãzinha –, é muito querido e dá-me miminhos constantemente.

É um amigo com quem conto sempre. Posso pegar no telefone e ligar-lhe. Posso chorar e ficar cheia de ranhosos, olhos inchados e má cara, e ele não se importa. Este meu amigo já correu do Saldanha à Av. Infante Santo para vir ter comigo às 23h. Para me vir dar a mão enquanto eu chorava – só para isso. Este amigo defende-me sempre, mesmo quando eu não tenho razão. É tão bom amigo que toma conta de mim quando sou bruta e antipática, quando digo o que não devo, até quando é com ele que estou zangada. É meu amigo quando lhe conto que os meus amigos vão trabalhar para outro sítio e estou triste, é meu amigo quando me segura na mão por tristezas nossas ou alheias. Até é meu amigo quando sou tonta e choro desalmada porque o nosso País arde e eu sofro por todas aquelas pessoas.

Este meu amigo é uma pessoa excelente. É uma pessoa com quem todos os amigos podem contar e com quem eu posso contar. Com quem os nossos filhos podem contar. Maioritariamente, este meu amigo é tudo o que se pode querer em todos os tipos de relacionamento que se tem durante a vida. É bom amigo enquanto Pai, é bom amigo enquanto irmão, é bom amigo enquanto filho, é bom amigo enquanto melhor amigo, é bom amigo enquanto tio, é bom amigo enquanto namorado e sobretudo é o melhor amigo enquanto marido. Tenho a maior sorte do Mundo porque quando o Mundo me vira as costas, ele não vira. O meu melhor amigo é o Ricardo. O meu maior amigo, o meu mais importante amigo e o mais próximo amigo. E nunca se importa quando ou se estou gorda - e essa é sempre a melhor parte.


Obrigada meu amigo, meu amor, meu tudo. I mean it. You will always be my always.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quando eu era Cookie (ou A filha que há em mim)

A filha que há em mim quer colo. A filha que há em mim gostava de ter mais tempo com os pais, mais tempo de qualidade. A filha que há em mim foi mimada e abraçada vezes suficientes, mas gostava de ter tido mais mimo. A filha que há em mim gostava de poder ter um dia inteiro com os pais. Como filha de pais divorciados, gostava também de poder lembrar-me melhor da altura em que era filha de pais casados. Não que isso fizesse algum sentido agora, porque não faz. Mas gostava de me lembrar desses tempos. Gostava que as memórias mais vivas fossem de férias divertidas e não de férias partilhadas. Gostava de ter visto menos cenas de egoísmo e mais cenas de amor. Gostava que me tivessem dito para aproveitar mais tempo enquanto criança – agora passo a vida a dizê-lo aos meus filhos.
Ser pequeno permite-nos uma série de maravilhosas aventuras que deixam de ser possíveis e compatíveis com a vida adulta.
  • ·         Desenhos animados aos fins-de-semana a partir das 6.30
  • ·         Férias em casa dos avós do lado do Pai, depois do lado da Mãe (ou vice-versa)
  • ·         Praia quase todos os dias
  • ·         Compras que os avós fazem só para nós como fiambre fininho, cereais de várias espécies, pão de forma de plástico e manteiga com sal
  • ·         Idas à piscina da Praia das Maçãs, saltar das pranchas e comer gelados
  • ·         Chegar a casa da praia às 20.30, tomar banho, jantar com a família toda e com bronzes invejáveis
  • ·         Fazer corridas de bicicleta ou ir dar voltas à rua da Mesquita
  • ·         Três meses de dolce fare niente, sem noção do que são contas para pagar ou livros da escola para comprar
  • ·         Jantares de família no Búzio ou na Toca do Júlio, até às tantas, com tudo o que tínhamos direito (melão com presunto...hmmm)
  • ·         Macaquices com os primos, como guerras de almofadas ou passeios na praia


A filha que há em mim lembra-se de tudo isto e gostava de voltar. Como a filha que há em mim não pode voltar atrás no tempo, a Mãe que há em mim faz tudo o que está no seu alcance para que, um dia, os meus filhos possam ter as mesmas - ou outras – memórias de viver dias intensos de amor, brincadeira e loucura - que também é precisa de vez em quando.
Gostava que os meus filhos não fossem constantemente postos a correr, desde as 6.30 às 20h. Gostava de não ter de andar a correr com eles de um lado para o outro. A vida exige de nós horários puxados e eles mereciam mais paz e mais calma. Por isso, quando chega o fim-de-semana, gosto de passear com eles, de lhes tirar fotografias, de os levar a sitios que ainda não visitámos e a sítios que devíamos ver outra vez. Sei que se lhes perguntasse eles diriam que não se importam e que há muitas coisas que fazemos juntos e portanto não faz mal acordar tão cedo durante a semana. Não tenho a certeza mas adivinho que não tenham sequer muita noção das horas que estão de pé. Inevitavelmente, os pais sentem-se mal por não poder passar mais tempo com eles. A verdade é que eles estão – sempre – gratos por tudo o que fazemos juntos e quando o sol se põe, eles amam-nos e nós a eles. Pelo menos, até serem adolescentes.

Depois logo se vê!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

2012

Há cerca de 4 anos passámos, em família, uma situação que nos colocou numa nova perspectiva sobre a vida. Não tem que ver com acreditar em Deus, nem tem que ver com achar que Deus não estava presente naquele momento. Olhando para trás, tenho a certeza que estava. Porque eu acredito que se Deus não estivesse presente, talvez as pessoas que estavam a sofrer naquele momento já não estariam entre nós. Porque acredito que Ele sabia que nós conseguiríamos em família ultrapassar aqueles obstáculos. Foi um ano muito complicado para os quatro lá de casa e para outros que não vivem debaixo do mesmo tecto mas sentem família em nós.

Este obstáculo foi complicado de superar porque ter um filho internado será sempre difícil. Porque saber que não há nada nas tuas mãos de Mãe que possa resolver aquele problema, acabar com a dor e com o sofrimento dos teus. Porque eles são TEUS. Porque os puseste cá, mas também porque os quiseste. Especialmente porque os quiseste. Passar situações dificeis com filhos é quase assegurado, desde o dia em que eles chegam cá – e às vezes até antes de estarem cá, fisicamente.

Mesmo hoje, vindos de mais um exame de rotina, passaram 4 anos e 2 meses, e as pernas ainda me tremem, e duas horas depois de saber que continua tudo bem, as mãos ainda me tremem. Ainda me é dificil viver estes momentos em que estou sem ver, sem falar e sem ouvir o meu F. Graças a Deus e a nós – atrevo-me a dizer – ele nunca mais teve nada, nunca mais houve nenhum stress em relação à saúde dele. É uma criança doida, desvairada, com muito feitio. Não é mau feitio, é só feitio. Gosta do que gosta e não gosta do resto. É exigente com a água que bebe, com a sopa que come, se tem coisas ou não tem coisas. Exige dormir tapado até às orelhas, todos os dias, mesmo com 30 graus. Nunca tem fome de manhã e por isso come mal que se farta ao pequeno-almoço. A diferença é simples: se acordar às 6.50, come uma barrinha de cereais e meia caneca de leite. Se acordar às 8.00, come duas ou três torradas,  havendo, come ovos mexidos, cereais, acho que até sopa comeria.

Adora o irmão acima de todos, inclusivé os pais. Se tivesse de dizer, acho que ele daria a vida pelo irmão, da mesma maneira que o irmão daria por ele. Andam às turras de vez em quando e mesmo assim, são capazes de se abraçar em modo de desculpa até caírem de riso. Não me lembro de alguma vez isso ter acontecido comigo e com o meu irmão. Para ser honesta, acho que nunca vi dois irmãos como eles. O irmão é o maior exemplo de amor que vejo nele.


Mas nós saímos do hospital, tivemos alta depois de um complicadíssimo mês internados. Costumo dizer internados porque quando tens um filho com 4 meses internado, tu também estás internada. Tu, o teu coração, o teu marido, o teu outro filho e o resto da tua família. Estivemos todos numa angústia, num limbo de tristeza. No dia em que tivemos alta, 16 de Maio, fomos para casa e ficámos à espera da hora de ir buscar o mano. E quando cheguei a casa com ele e se voltaram a ver, foi como um desmoronar de sentimentos, de emoções, de loucura de amor de tudo. Foi como se o Mundo pudesse começar a girar de novo. Foi como se tudo estivesse bem, novamente. E de repente, todos os males se foram, todos os horrores se foram... Éramos uma família outra vez. E o amor que nos passou a unir foi todo muito maior e melhor. E a lição que vos posso passar é: complicar menos. Sofrer menos por antecipação. E pôr sempre em perspectiva o que nos acontece diariamente. Chegarão, espero eu, à mesma conclusão que cheguei: raramente é tão grave quanto o fazemos na nossa cabeça. Ser feliz e ter saúde é o que mais importa. A nós e aos nossos. O resto? O resto faz-se.  

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Felix Felicis

Quando se torna dificil de respirar, torna-se ainda muito mais dificil de viver. Quando um pedaço de Ti fica para trás, esquecido por alguém. Quando o Teu crescimento te trouxe até onde estás e te lembras que ficaram esquecidos pedaços de alguém. Quando não é suposto lembrares-te das tristezas e elas voltam para Ti. Quando o Teu amor se foi. Quando parte de Ti se torna irrecuperável. Quando os Teus amigos Te ligam e há o momento de embaraço desembaraçado:-”Nunca mais disseste nada...”

Quando o sonho parece estar a escorrer entre os Teus dedos e o Teu coração se despedaça de tristeza. Quando cais, em plena rua e Te magoas, mesmo a sério. Quando não consegues dormir à noite e o cansaço se arrasta. Quando não sabes para onde fugir mas sabes que queres fugir. Quando já chega. Quando já foi suficiente e ainda há mais para vir. Quando não queres mais. Quando sabes que o Teu corpo não aguenta mais. Quando sabes que aguenta mas não queres que o faça. Quando o fim-de-semana acabou de começar mas já acabou. Quando é quase Sexta mas agora já é Segunda. Quando gastas e não podes. Quando podes e não gastas.

Quando a morte aparece. Quando a vida aparece. Quando sentes o sol enquanto dormes na praia. Quando o momento acontece e Tu não dás por nada. Quando a tua vida é aquilo que é, porque tem de ser. Quando a água da chuva parece limpar o passado. Quando o feitiço acontece. Quando abres um livro pela primeira vez. Quando o cheiro de alguém antigo passa por Ti. Quando ouves uma música que Te traz à memória a saudade de alguém. Quando um sorriso é tudo. E quando vês tristeza. Quando está tudo a acontecer ao mesmo tempo. Quando passas num jardim e vês crianças felizes. Quando pensas na quantidade de pessoas no Mundo que não são felizes. Quando sabes que o Teu Mundo está a mudar. Quando querias pôr no pause e saborear. Quando sabes que que acertaste. Quando sabes que falhaste. Quando sabes que podias ter feito mais. Quando o filme acabou. Quando a aula acabou. Quando já não te apetece mais mas ainda são 9h. Quando Te atiras para o sofá. Quando o jantar já está pronto. Quando não tens de fazer nada. Quando estás pronto para sair. E quando finalmente chegas a casa. Quando o carro está atestado. Quando começam as férias. Quando Te partiram um espelho durante a noite. Quando o pneu está em baixo. Quando estás cheia de pneus. Quando achas que estás cheia de pneus. Quando vivem mais macaquinhos na Tua cabeça do que no Teu nariz. Quando te vês ao espelho e Te sentes MIL. Quando nem Te vês ao espelho. Quando te elogiam. Quando Te contrariam. Quando há mais coisas para fazer do que as que consegues medir. Quando sabes, ao acordar, o que tens para fazer. E quando não Te apetece. Quando Te apetece. Quando vais a um casamento. Quando és mais bonita que a noiva. Quando Te sentes A mais bonita. Quando Te sentes A mais feia. Quando tudo está de acordo, menos Tu.

Quando chega o fim do dia e o sol se põe.
E quando o novo dia começa, cheio de possibilidades.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sobre o trabalho de ser Mãe

Quando os filhos aparecem, tudo se torna uma loucura. A vida vira-se – e vira-nos - em todas as curvas.
Ser Mãe é ter montes de trabalho. Podia acabar esta frase de outra maneira, mas o trabalho, o de ser Mãe, é o tema.
O trabalho que eles dão. Os filhos e as intermináveis dores de cabeça. As doenças, as noites sem dormir, as alimentações, as estadias hospitalares, as estadias em casa por causa das estadias hospitalares, as varicelas e os sarampos, os vomitados a meio (ou no princípio, ou no fim) da noite, as imensas bronquio-coisas (porque não são todas lites), os tubinhos, as fraldas, as infecções urinárias e de outras espécies, as otites, as sinosites, e os montes de outras –ites.
Todas as Mães dizem:

“É incomparável o amor que (se) sinto(e) pelos (meus) filhos.”
Costumo dizer aos meus: - “És o meu R preferido” ou - “És o meu F preferido”. São mesmo. São as crianças de quem mais gosto. São as pessoas de quem mais gosto. São as pessoas mais importantes da minha vida.
Eu sei. É verdade. Todas as Mães, boas* Mães dizem isto. As Mães que dedicam - e se dedicam - a 30 ou 40 anos de maternidade intensa (ou será intensiva?).
MAS!
Não há nada no nosso crescimento que nos prepare para ser Mães. NADA. Digo muitas vezes isto às minhas amigas que não são – ainda – Mães. É a mais pura das verdades. Começa cedo a falta de preparação para eles e para a chegada deles. Nada nos prepara. Podemos ter tudo, como carrinhos da Porsche, Maxi-Cosi’s, berços top notch, lençóis egípcios de 3000 fios, e não estar preparados. Podemos ter - e esperançosamente teremos – uma família com imensos truques e uma enorme sabedoria sobre ser Mãe, Avó ou Tia. Mas elas (e eles) não estão lá sempre. E no meu caso, eu não queria muito que lá estivessem. Não da primeira vez. Quando eu tinha vergonha de dar de mamar em frente a quem quer que fosse (excepto o Pai), quando eu tinha vergonha de não saber, quando a fralda ficava mal posta e havia xixi ou cócó por todo o lado, quando eu tinha o meu corpo deformado e ninguém me tinha dito que isso ia acontecer. Não havia nada que me pudesse preparar para o que aconteceu. Ter o R foi a experiência mais aterradora da minha vida. Poderá argumentar-se que tinha que ver com a tenríssima idade que tinha na altura mas acho que se fosse hoje, quase 8 anos volvidos, estaria na mesma situação. A segunda vez foi muito mais fácil e ainda assim, ter o F foi mais assustador. Nos primeiros três meses, era um bébé que não dormia tanto como o R, não comia tanto nem tão bem. E tinha - tem! – muito mais mau feitio que o R. O trabalho que ainda dão – e ouvi dizer que é assim para sempre – é impossível de contabilizar. Acho que sendo míuda (sou mulher, mas não me sinto assim tão crescida), é mais complicado para nós, porque nós exigimos muito mais de nós. Exigimos mais capacidade, mais energia, mais força e acho que acima de tudo, (EU exigo de mim) muito mais paciência. Mas não a tenho sempre. E depois irrito-me e chateio-me e no fim, fico triste e quando me dá, até choro por ter sido . Porque o trabalho que eles (não sabem que) dão, sai com tanto esforço e tanta dedicação. E eles acham, na sua infinita sabedoria, que educá-los, alimentá-los e dizer-lhes que não, é ser mau.
A recompensa, é saber que inevitavelmente, no futuro deles – hopefully -, hão-de pensar na Mãe como a melhor, a que sabia mais, a que fazia os melhores bolos e as melhores festas, e a que mais importa(va) na vida deles. Eles são o melhor do Mundo, do meu Mundo. Também o será o dia em que este trabalho muda, começa por diminuir, e eles preparam-se, saiem de casa para casar e um dia, serão Pais.
E ser Avó, ouvi dizer, é muito mais fácil!


*Com toda a modéstia que me é devida.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A verdade é que ser Mãe é diferente - por tudo.
A Mãe começa a sentir os primeiros movimentos do bébé. A Mãe é o centro das atenções – e nem sempre pelas melhores razões. A Mãe engorda e emagrece. A Mãe vomita por tudo quanto é lado, constantemente. A Mãe não pode ficar doente – e quando fica, não pode tomar remédios. A Mãe até pode ter uma doença crónica que precisa de cuidados mas a Mãe grávida é uma incubadora de um ser miniatura, por isso, a Mãe NÃO pode dar atenção à doença crónica. A Mãe não pode (ser vista a) fumar, a beber(ricar) um copo de vinho, nem tinto nem branco. A Mãe, é pesada, amassada, espremida, torturada e picada quase todos os meses. A Mãe faz testes para doenças incríveis. A Mãe é analisada como uma espécime de outra espécie. A Mãe leva nove meses a levar conselhos de bolso. A Mãe não pode responder, só pode ouvir. A Mãe é Mãe primeiro. O nome da Mãe ninguém precisa de o saber. É de tal maneira que a Mãe passa a ser em quase todos os ambientes, apenas a Mãe. E é Mãe de todas as pessoas que se dirigem a ela. A Mãe passa a ser uma entidade a que nos referimos em caso de emergência. A Mãe é que ouve sempre os recados – mesmo quando o Pai está ali e está interessado em ouvir também – é à Mãe que se referem.
A Mãe é uma espécie de tudo num só. A Mãe arranja, ajuda, discute, dá beijinhos e irrita-se. A Mãe serve para tudo. A Mãe sabe de Mecânica. A Mãe sabe de Culinária. A Mãe sabe de Informática. A Mãe sabe de Medicina. A Mãe sabe de todas as matérias. A Mãe, que se tornou Mãe no momento exacto em que o Pai se tornou Pai, precisa  - ou é esperado que assim seja - de saber mais, melhor e com mais aprofundamento. E mesmo quando não sabe, é à Mãe que se pergunta primeiro. É a Mãe que autoriza as saídas, os almoços e os jantares, as passeatas... às vezes a Mãe até autoriza – ou não – os namoros.
Da Mãe são esperadas milhares de coisas em 24 horas. Esperamos que a Mãe acorde a horas. Esperamos que a mesa do pequeno-almoço esteja posta. Esperamos que haja pão e manteiga, cereais e iogurtes, barrinhas de cereais e leite. Esperamos que os filhos estejam vestidos e limpos, que as roupas estejam com as pregas nos sítios certos, sem nódoas. Esperamos que o Pai esteja limpo, vestido e arranjado também – e que a roupa do Pai esteja impecável. Esperamos que a Mãe esteja pronta para sair de casa à hora certa. Esperamos que deixe as crianças na(s) respectiva(s) escola(s) à hora certa também. Esperamos que chegue atempadamente à(s) escola(s) para recolher as crianças. Esperamos que nunca se atrase. Esperamos que, em chegando a casa, as crianças tomem banho, que os pijamas estejam nos sitios certos. Esperamos que a pele das crianças tenha creme e que cheirem a água de colónia. Esperamos que estejam penteados. Esperamos que o jantar esteja feito e seja de agrado, todos os dias. Esperamos que a sopa tenha a correcta quantidade de sal, e batatas e cebolas, esperamos que os legumes sejam adequados às necessidades dos pequenos seres que partilham o mesmo tecto. Esperamos que acabando o jantar, as crianças lavem os dentes e façam xixi e vão para a cama antes das 21h. Esperamos que a loiça esteja lavada e arrumada. Esperamos que a casa esteja toda em condições de ser visitada pela figura mais alta do Estado Português.
A Mãe continua a ter o trabalho mais difícil do Mundo, porque a Mãe é uma instituição. Até quando o Pai é o melhor do Mundo, é à Mãe e da Mãe que esperamos tanto.

A Mãe é  um ser mítico, fantástico, com poderes muito superiores aos dos Super-Heróis. A Mãe é – à falta de melhor adjectivo – AWESOME. A Mãe está cansada, mas pode sempre. A Mãe está doente, mas pode sempre. A Mãe tem um lugar nela que está SEMPRE acordado. Que está SEMPRE a trabalhar. A Mãe é tudo. Mas ser Mãe é uma tarefa a dois. E a Mãe só existe porque há Pai. E se há Pai, é porque a Mãe existe. Viva o Pai. E viva a Mãe – mas só às vezes, porque a Mãe é .

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The truth is that being a Mother is different – for all the reasons.
It’s the Mother who starts feeling the baby’s first movements. It’s the Mother who is the center of all attention – and it’s not always for the best reasons. The Mother gains and loses weight. The Mother vomits all over, constantly. The Mother cannot get sick – and when she does, she can’t take any drugs. She might also have a chronic disease that needs to be taken care of, but because the pregnant Mother is an incubator to a miniature being, she cannot pay attention to the fore mentioned disease. The Mother cannot (be seen) smoking, drinking, not even a sip of a glass of wine, red or white. The Mother is weighed, squished and smooshed, tortured and stabbed with needles almost every month. The Mother does all sorts of tests for weird sicknesses. She is analyzed as a species from another species. The Mother takes nine months hearing out-of-the-pocket advice. She cannot answer, only listen. The Mother is a Mother first. Nobody needs to know the Mother’s name. It is in such a way that the Mother becomes the Mother on all occasions, just Mother. And she is Mother for all the people who refer to her. Mother is then an entity to whom we all turn to, in case of emergency. It is the Mother who listens to all the messages – even when the Father is there and is interested in listening – it is to the Mother all turn to.
The Mother is a kind of an all-in-one. The Mother fixes, helps, fights, kisses and gets mad. The Mother serves all purposes. The Mother knows about Mechanics. The Mother knows about Cooking. The Mother knows about Computers. The Mother knows about Medicine. The Mother knows about all matters. The Mother, who became one at the exact time the Father became a Father, needs – or is expected to – know better, more and in depth. And even when she doesn’t know, it is to the Mother everyone turns first. It is the Mother who allows the outings, the lunches and the dinners, the strolls… sometimes, the Mother even authorizes dating – or not.
From the Mother, a million things are expected within the 24 hours of everyday. We hope the Mother wakes up on time. We hope the breakfast table is properly set. We hope for bread and butter, cereal and yogurts, cereal bars and milk. We hope the kids are properly dressed and clean, no stains. We hope the Father is clean and dressed as well – and the Father’s clothes are impeccable. We hope the Mother is ready on time to leave the house. We hope the kids are dropped off at school on time as well. We hope she arrives on time to pick them up. We hope that, when getting home, the kids are bathed, the pj’s on their rightful places. We hope the kids have their skin moisturized and also hope they smell like eau de cologne. We hope they’re combed. We hope dinner is ready, and that everybody likes it, every day. We hope the soup has the correct amount of salt and potatoes and onions, we hope the amount of greens is adequate to the needs of the little ones. We hope that when dinner is done, the kids brush their teeth, pee and go to bed before 21h. We hope the dishes are done and put away. We hope the house is so neatly tide up that it could be visited by the highest Portuguese state member.
The Mother still has the hardest job in the world, because the Mother is an institution. Even when the Father is the best in the world, it is from and to the Mother we expect so much.

The Mother is a mythical being, fantastic, with much stronger and higher powers than the super heroes. The Mother is – in the lack of a better adjective – AWESOME. The Mother is tired, but she always can. The Mother is sick, but she always can. The Mother has a place inside her that is ALWAYS awake. That is ALWAYS working. The Mother is everything. But being a Mother is a two-person-task. And if there is a Mother is because there is a Father. And if there is a Father, it is because the Mother exists. Hooray to the Father. And Hooray to the Mother – but only sometimes, because the Mother is mean.