Estou naquela altura do ano em
que custa fazer tudo. Custa-me acordar, custa-me igualmente adormecer. As
férias estão a chegar mas é a pior altura. Porque há malas para fazer, roupa
para passar, a casa para limpar. Os miúdos ainda não acabaram a(s) férias/escola/colónia,
estão de rastos eles próprios. Chegam a casa completamente estoirados, na marioria
dos dias nem sequer querem nada. O F atira-se para a cama como se fosse feita
de nuvens... o R não quer nada – nem banho, nem jantar, nem lavar o cabelo...
tenho sentido que me tenho chateado mais com eles e agora apercebo-me que só
pode ter que ver com o extremo em que estamos todos lá em casa. Gostava de ter
mais tempo com eles durante o ano, mas a vida ainda obriga a estes horários
levados da breca, em que às 6 da manhã já meia casa anda de pé e às vezes às 11
da noite a mesma meia casa ainda está de pé. Andamos todos neste leva-e-traz de
cansaço. A minha bateria está neste momento abaixo dos 20%, faltam-me cerca de
5 horas de dia pela frente. A maior adversidade desta situação é que nunca dormimos
o suficiente para carregar a bateria toda, carrega até aos 30%/40% e recomeça a
loucura. Nos fins-de-semana temos aquela cena de que todos os pais se queixam “nos
dias de semana ninguém os tira da cama, ao fim-de-semana levantam-se às 6h50m/7h...
Ninguém merece. Nós fazíamos o mesmo: levantar cedo, ligar a televisão, esperar
pelo relógiozinho chegar às 7, começarem as “ondinhas” da Sic, “os segredos que
sabemos e as palavras escondidas...” e pronto, estava feita a melhor parte da
manhã. Os nossos filhos não precisam disso, há montanhas de canais dedicados
quase exclusivamente a encher os miúdos de desenhos (não muito) giros. Mas a
excitação de ir pedir aos pais para ligar a televisão é a mesma, como se fosse
uma coisa normal acordar os pais para isso a um Sábado (!!!).
As férias estão a ser muito
necessitadas, para nós e para eles. Há muitas coisas que ainda há para fazer. Não
quero ter de limpar tudo, fazer malas, passar pilhas de roupa em ponto pequeno
a ferro, dar os recados de Mãe a eles e aos Avós, ter de ir pôr e ter de ir
buscar. E tudo para ainda ter de esperar umas 3 semanas para eu desligar o
crânio temporariamente. Quero ir já! Dóiem-me as pernas como se estivesse de pé
o dia todo, tenho as covinhas dos olhos manchadas de cinzento claro, o meu
cabelo está espigado, tenho as unhas numa miséria. É. Chegou mesmo aquela
altura do ano em que nada se parece com o que devia. A melhor parte desta
altura do ano é o facto de não haver muita gente nesta nossa (MINHA) Lisboa,
por isso em vez dos customários 30 a 40 min no transito, estou 10 a 15. Porreiro,
hã? Não dura muito, porque depois vou fugir da cidade no único mês do ano em
que viver em Lisboa é a cena mais fixe! Não há filas de transito, nem nos cinemas,
ir ao Colombo não é horrivel, infernal, a loucura, estar até tarde na praia não
tem mal porque a marginal parece domingo às 6 da manhã, todos os dias, todo o
dia. Ainda hoje é quarta-feira, mas a melhor notícia é que é quase sexta, e
isso significa que chegámos – praticamente – a Agosto... e estamos vivos e
saudáveis e felizes e satisfeitos... podres de exaustão mas felizes. Lá chegaremos
também ao fim. Por hora, vivam as férias!
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