quinta-feira, 27 de julho de 2017

...do Amor

Quando nos juntamos com alguém, achamos sempre que é para sempre. Todo o céu é azul, toda a terra está coberta de flores, todo o amor é cor-de-rosa. Temos sempre vontade de dar beijinhos na boca, temos sempre vontade de namorar, temos sempre um horror desmedido de parvoíces delico-doces para dizer. Namorar continua a ser, na minha humilde opinião, uma das coisas mais fixes! para fazer. Namorar pode ser dar beijinhos na boca. Mas pode ser conversar, pode ser passear, pode até ser tão simples quanto estar junto. Na minha casa e família, namorar é usufruir do amor que temos para dar e receber. E há muito lá em casa. É bom poder estar num jardim, a ver as crianças – nossas e dos outros – a correr, a brincar, a jogar à bola, a saltar à corda. É tão bom poder aproveitar esses dias, em que está tudo de bem com o Mundo, em que ninguém acordou com os pé de fora, ninguém está resmungão e maldisposto. Não acontece muitas vezes estarmos todos bem, obviamente. Somos 4, personalidades difíceizinhas com um total de 2 sagitários, 1 escorpião e um gémeos – que diz que tem sempre bom feitio e que nós é que somos venenosos. A verdade é que temos todos tanto de amor para dar como temos de refilice. Ainda bem, a maioria das pessoas que conheço acha que não temos cenas lá em casa. É esquisito porque não há nenhuma familia em que não haja cenas. Para mim, o importante é ser capaz de resolvê-las. Acima disso, NUNCA ir para a cama zangado/a/s, nem que para isso estejamos a conversar até à meia-noite.
Mas o amor, esse, nunca pode desaparecer. Acho que é muito importante sentir amor, pelo menos uma vez por dia. Mesmo que seja só um minuto, nesse dia já podes dizer que sentiste amor. O amor nem sequer precisa de ser romantico, pode ser pelos nossos filhos, pelos nossos amigos, pelos nossos pais, pelos nossos cães.
Vi, em várias alturas, o amor começar a ficar baço, em algumas relações. A deixar-se escapar entre os dedos, a escorregar, a fugir. Porque queriam os envolvidos que assim fosse, ou porque teriam, sabe Deus!, outros planos. Não acredito que o amor seja coisa que desaparece completamente, não quando é amor a sério. Não falo de relações que não prestam, em que há maus-tratos de parte-a-parte, em que as pessoas batem umas nas outras, fisíca e psicologicamente. Quando acontece, por exemplo, uma separação, o amor não desapareceu, acho eu. Modificou-se, alterou-se, passaram a querer-se outras coisas. E às vezes, essas coisas já não são ou incluíem a pessoa que está connosco. Isso só quer dizer que a evolução da vida nos separou num qualquer cruzamento. Mas o amor que se partilhou não desapareceu. Ninguém se esquece do seu primeiro amor, ninguém se esquece de quando perdeu a virgindade, do amor que sentiu nesta ou naquela altura. O primeiro beijinho na boca, o primeiro momento em que o coração bateu depressa, acelerou, caiu para o estomago e o nosso mundo mudou. Esse amor muda todos os dias, todos os meses, todos os anos. Mas não deixa de fazer bater mais depressa o coração, nós é que já não sentimos como diferente, sentimos como normal. Ainda bem que ainda há esse amor em nós, na nossa casa, na nossa família.

Como diziam os hippies, façam amor. Muito mais amor. E espalhem-no. No fim de tudo, quando já se disse tudo, já se viveu tudo, já estamos a partir, é só isso que levamos connosco. Por isso, mais vale fazer, dar, partilhar e receber muito. Para ir de coração cheio. De AMOR.

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