Quando nos juntamos com alguém,
achamos sempre que é para sempre. Todo o céu é azul, toda a terra está coberta
de flores, todo o amor é cor-de-rosa. Temos sempre vontade de dar beijinhos na
boca, temos sempre vontade de namorar, temos sempre um horror desmedido de parvoíces delico-doces para dizer. Namorar
continua a ser, na minha humilde opinião, uma das coisas mais fixes! para fazer.
Namorar pode ser dar beijinhos na boca. Mas pode ser conversar, pode ser
passear, pode até ser tão simples quanto estar junto. Na minha casa e família,
namorar é usufruir do amor que temos para dar e receber. E há muito lá em casa.
É bom poder estar num jardim, a ver as crianças – nossas e dos outros – a correr,
a brincar, a jogar à bola, a saltar à corda. É tão bom poder aproveitar esses
dias, em que está tudo de bem com o Mundo, em que ninguém acordou com os pé de
fora, ninguém está resmungão e maldisposto. Não acontece muitas vezes estarmos
todos bem, obviamente. Somos 4, personalidades difíceizinhas com um total de 2 sagitários, 1 escorpião e um gémeos
– que diz que tem sempre bom feitio
e que nós é que somos venenosos. A verdade é que temos todos tanto de amor para
dar como temos de refilice. Ainda bem, a maioria das pessoas que conheço acha
que não temos cenas lá em casa. É esquisito porque não há nenhuma familia em
que não haja cenas. Para mim, o importante é ser capaz de resolvê-las. Acima
disso, NUNCA ir para a cama zangado/a/s, nem que para isso estejamos a
conversar até à meia-noite.
Mas o amor, esse, nunca pode
desaparecer. Acho que é muito importante sentir amor, pelo menos uma vez por
dia. Mesmo que seja só um minuto, nesse dia já podes dizer que sentiste amor. O
amor nem sequer precisa de ser romantico, pode ser pelos nossos filhos, pelos
nossos amigos, pelos nossos pais, pelos nossos cães.
Vi, em várias alturas, o amor
começar a ficar baço, em algumas relações. A deixar-se escapar entre os dedos,
a escorregar, a fugir. Porque queriam os envolvidos que assim fosse, ou porque teriam,
sabe Deus!, outros planos. Não acredito que o amor seja coisa que desaparece
completamente, não quando é amor a sério. Não falo de relações que não prestam,
em que há maus-tratos de parte-a-parte, em que as pessoas batem umas nas
outras, fisíca e psicologicamente. Quando acontece, por exemplo, uma separação,
o amor não desapareceu, acho eu. Modificou-se, alterou-se, passaram a querer-se
outras coisas. E às vezes, essas coisas já não são ou incluíem a pessoa que
está connosco. Isso só quer dizer que a evolução da vida nos separou num
qualquer cruzamento. Mas o amor que se partilhou não desapareceu. Ninguém se
esquece do seu primeiro amor, ninguém se esquece de quando perdeu a virgindade, do amor que sentiu nesta ou naquela altura. O primeiro
beijinho na boca, o primeiro momento em que o coração bateu depressa, acelerou,
caiu para o estomago e o nosso mundo mudou. Esse amor muda todos os dias, todos
os meses, todos os anos. Mas não deixa de fazer bater mais depressa o coração,
nós é que já não sentimos como diferente, sentimos como normal. Ainda bem que
ainda há esse amor em nós, na nossa casa, na nossa família.
Como diziam os hippies, façam amor. Muito mais amor. E espalhem-no.
No fim de tudo, quando já se disse tudo, já se viveu tudo, já estamos a partir,
é só isso que levamos connosco. Por isso, mais vale fazer, dar, partilhar e
receber muito. Para ir de coração cheio. De AMOR.
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