segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Motherhood

Se houve coisa que aprendi depressa quando fui mãe, foi que os filhos ficam doentes. Eles ficam doentes quando há coisas programadas e quando não há. Ficam doentes à vez ou ao mesmo tempo. Quando nós chegamos a casa depois de um dia louco no trabalho. Quando acabámos de acordar e até quando acabámos de nos deitar. Quando estamos estoirados e quando estamos descansados. Às vezes fica o mais velho, outras vezes o mais novo. Outras vezes os dois, sem razão aparente. Já tinha acontecido ficar primeiro um e depois o outro, combalidos da mesma doença. Desta vez ficaram ao mesmo tempo, cada um com sua coisa, apesar de a razão que nos levava ao médico ser por acharmos que era a mesma coisa. Turns out, que ficar doente a meias não era tão fixe. Partilhar doenças não é fixe, ter uma coisa cada um é que é. Um com bronquiolite outro com uma cena de pele tão marada que não vou mencionar o nome – para que as queridas almas curiosas não procurem porque é feio e assusta. A verdade é que se assemelha demais com a varicela e ainda hoje, depois de quase 15 dias do diagnóstico, ele está cheio de marquinhas cor de rosa, o meu dálmata. Foi assim que passei quase duas semanas em casa, com os meus dois princípes, e foi, de longe, o melhor tempo que tive com eles desde há imenso tempo. Fomos só nós os 3, a mãe toda só para eles, eles todos só para mim. Vimos quase todos os filmes da Disney, comemos torradas a meio da manhã, estivemos de pijama até à hora de almoço. Fizemos scones e bolo de chocolate e comemos algumas porcarias. Dormimos sestas e brincámos com Legos. E com Playmobil. E carrinhos e motas e helicópteros. E foi mesmo mesmo bom. E de repente, fui invadida pela sensação terrível do fim da licença da maternidade, em que temos de lidar com a perda dos nossos filhos que até essa altura são só nossos para passar a partilhar os filhos com o Mundo. Não me entendam mal, acho que os filhos devem ser fazer parte do Mundo. Mas é bom, de quando em vez, os filhos voltarem a nós, nestes momentos, em que estamos frágeis – eles pela doença, nós pela preocupação. Foi bom poder passar os dias a dar mimos que não consigo sempre dar, a dizer-lhes que são a melhor coisa da minha vida, das nossas vidas, e que sem eles não faria o sentido que faz com eles. Acabamos a querer mais tempo de qualidade com eles, em que a vida pára só para nós, até à hora de ir jantar e maternizar mais um bocadinho. Desta vez, mimei-os tanto que acho que estraguei qualquer coisa. Mas não faz mal, porque estou cá para arranjar. Se não podemos mimá-los, quando estão doentes agora quando é que podemos? Gostava que se lembrassem que quando estavam doentes, viam filmes da Disney e podiam ficar de pijama até tarde, sem ralhetes nem zangas. Foi bom soltar-me do meu papel de mãe exigente e deixar a mãe mimosa entrar. Ela está sempre presente mas não tem sempre tempo. E a exigência da vida lá fora puxa muito pela mãe e pelo pai, por isso, desta vez, a exigência ficou na rua. Não houve horários, não hove corridas, houve só amor. E os filhos souberam bem aproveitar a deixa e partilhar mimos entre eles e comigo. Partilhámos o sofá, o colo da mãe, os scones e o bolo de chocolate, a máquina de aerossois e a(s) mão(s) - com mano mais novo, que chorava pelo ardor do Betadine nas pintinhas.
Passei tempo de verdadeira qualidade com eles e concluo, mais uma vez, que o papel que têm na minha vida e a sua presença na minha vida são o melhor do Mundo. É com eles que quero sempre passar o resto da minha vida e ser a melhor do Mundo para eles.
Os meus princípes estão de volta às respectivas escolas e eu de volta ao trabalho. E dou por mim a desejar mais dias em casa com eles, mais tempo e mais vida com eles.
A lição que fica: gozar melhor os fins-de-semana e as férias e o tempo que temos juntos.


Motherhood has taught me the meaning of living in the moment and being at peace. Children don't think about yesterday, and they don't think about tomorrow. They just exist in the moment.” - Jessalyn Gilsig

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Noo, you left me in a hiatus

Numa rajada de vento, foste. Saíste com a esperança no coração e uma vontade enorme de continuar a luta. E depois a luta acabou, de um momento para o outro. Inspiraste e expiraste e pronto. Acabou. Chorámos todos a tua perda. Abraçámos-te sempre. Mas a luta acabou e tu foste-te embora. E a tua perda passou a ser a nossa perda também. A tua luta acabou por ser a nossa, em dois anos e uns trocos, chorámos e rimos, rezámos e implorámos para que a tua luta fosse frutífera. Mas não foi. A tua luta acabou. E com ela parece ter ido uma parte tão importante de mim. Conscientemente, não fazia sentido que no fim, a tua permanência acontecesse. Mas a tua ida fez um buraco em mim. Estou constantemente à espera que apareças aqui ao meu lado e que me faças rir como fizeste nestes dois anos. Egoisticamente, fazes-me falta. Tenho saudades tuas. Não queria que tivesses ido. Não queria que te fosses embora, minha querida amiga. Foste, em quase oito anos de trabalho, uma das poucas amigas que fiz. Podia contar-te tudo e cortar na casaca de quem quisesse e tu não te importavas e rias-te. Às vezes concordavas, outras vezes não. Agora vou ter de esperar que este horror que te aconteceu melhore, ainda que ligeiramente, só para poder dizer-te disparates outra vez. Não foi a mim que me aconteceu mas continuo a sentir que deixas um gap maior que os outros antes de ti. Lembro-me de quando te conheci e achei que eras entitled e como em 5 minutos mudei de opinião. Não te devia ter acontecido isto. Não a ti, não a vocês. Não é justo que o caminho tenha tido de ser este. Quando o choque me passar, acho que vou finalmente começar a perceber o que se passou.
Só gostava de ter tido oportunidade de vos salvar aos dois deste desgosto, desta tristeza. Gostava que tivesse sido up to me ajudar. E arruinou – ainda que temporariamente – a minha vontade de trabalhar e de estar. Não é justo que tenhas perdido o amor da tua vida, que tenhas lutado tanto – e ele! – para no fim a batalha ter sido perdida. Nunca pensei, nem sequer ponderei que este pudesse ser o desfecho. Como em tantas outras situações, a vida dá-nos uns pontapés valentes, para andarmos para a frente, para nos mexermos da nossa posição de conforto mas irra, era mesmo preciso esta lição? Não era.
Falei contigo no outro dia e fez-me tão bem. Fez-me tão bem à cabeça saber que apesar de tudo estás bem e cheia de conforto. Acho que te fez bem a ti também. Gosto que me consideres tua amiga, para mim isso é uma honra. A tua amizade fez-me sempre bem. Nunca fiquei zangada contigo nem tu comigo. Nunca me ofendeste e - acho que - nunca te ofendi. Vais estar sempre no meu coração. Sempre. Disseste-me isso no dia em que te foste embora e agora que já passaram mais uns dias, cada vez mais sei que tu vais estar sempre no meu coração. Que a tua passagem pela minha vida também serviu o propósito de me pôr os pés no chão outra vez.
O que eu espero para ti, minha querida amiga, é que no futuro só haja alegrias e coisas boas. Se souberes o quanto gosto de ti saberás o quão importante és para mim. Estou aqui. Estive sempre aqui. E estarei sempre, sempre, sempre que precisares.
Adoro-Te minha amiga. Minha querida e importante amiga.

Até sempre, Noo.