Se houve coisa que aprendi depressa quando fui mãe,
foi que os filhos ficam doentes. Eles ficam doentes quando há coisas
programadas e quando não há. Ficam doentes à vez ou ao mesmo tempo. Quando nós
chegamos a casa depois de um dia louco no trabalho. Quando acabámos de acordar
e até quando acabámos de nos deitar. Quando estamos estoirados e quando estamos
descansados. Às vezes fica o mais velho, outras vezes o mais novo. Outras vezes
os dois, sem razão aparente. Já tinha acontecido ficar primeiro um e depois o
outro, combalidos da mesma doença. Desta vez ficaram ao mesmo tempo, cada um
com sua coisa, apesar de a razão que nos levava ao médico ser por acharmos que
era a mesma coisa. Turns out, que
ficar doente a meias não era tão fixe. Partilhar doenças não é fixe, ter uma
coisa cada um é que é. Um com bronquiolite outro com uma cena de pele tão
marada que não vou mencionar o nome – para que as queridas almas curiosas não
procurem porque é feio e assusta. A verdade é que se assemelha demais com a
varicela e ainda hoje, depois de quase 15 dias do diagnóstico, ele está cheio
de marquinhas cor de rosa, o meu dálmata.
Foi assim que passei quase duas semanas em casa, com os meus dois princípes, e
foi, de longe, o melhor tempo que tive com eles desde há imenso tempo. Fomos só
nós os 3, a mãe toda só para eles, eles todos só para mim. Vimos quase todos os
filmes da Disney, comemos torradas a meio da manhã, estivemos de pijama até à
hora de almoço. Fizemos scones e bolo de chocolate e comemos algumas porcarias. Dormimos sestas e brincámos
com Legos. E com Playmobil. E carrinhos e motas e helicópteros. E foi mesmo
mesmo bom. E de repente, fui invadida pela sensação terrível do fim da licença
da maternidade, em que temos de lidar com a perda dos nossos filhos que até
essa altura são só nossos para passar a partilhar
os filhos com o Mundo. Não me entendam mal, acho que os filhos devem ser fazer
parte do Mundo. Mas é bom, de quando em vez, os filhos voltarem a nós, nestes
momentos, em que estamos frágeis – eles pela doença, nós pela preocupação. Foi bom
poder passar os dias a dar mimos que não consigo sempre dar, a dizer-lhes que
são a melhor coisa da minha vida, das
nossas vidas, e que sem eles não faria o sentido que faz com eles. Acabamos a
querer mais tempo de qualidade com eles, em que a vida pára só para nós, até à
hora de ir jantar e maternizar mais um bocadinho. Desta vez, mimei-os tanto que
acho que estraguei qualquer coisa. Mas não faz mal, porque estou cá para
arranjar. Se não podemos mimá-los, quando estão doentes agora quando é que
podemos? Gostava que se lembrassem que quando estavam doentes, viam filmes da
Disney e podiam ficar de pijama até tarde, sem ralhetes nem zangas. Foi bom
soltar-me do meu papel de mãe exigente e deixar a mãe mimosa entrar. Ela está
sempre presente mas não tem sempre tempo. E a exigência da vida lá fora puxa
muito pela mãe e pelo pai, por isso, desta vez, a exigência ficou na rua. Não houve
horários, não hove corridas, houve só amor. E os filhos souberam bem aproveitar
a deixa e partilhar mimos entre eles e comigo. Partilhámos o sofá, o colo da
mãe, os scones e o bolo de chocolate, a máquina de aerossois e a(s) mão(s) - com
mano mais novo, que chorava pelo ardor do Betadine nas pintinhas.
Passei tempo de verdadeira qualidade com eles e concluo,
mais uma vez, que o papel que têm na minha vida e a sua presença na minha vida são
o melhor do Mundo. É com eles que quero sempre passar o resto da minha vida e
ser a melhor do Mundo para eles.
Os meus princípes estão de volta às respectivas
escolas e eu de volta ao trabalho. E dou por mim a desejar mais dias em casa
com eles, mais tempo e mais vida com eles.
A lição que fica: gozar melhor os fins-de-semana e as
férias e o tempo que temos juntos.
“Motherhood has
taught me the meaning of living in the moment and being at peace. Children
don't think about yesterday, and they don't think about tomorrow. They just
exist in the moment.” - Jessalyn
Gilsig