Numa rajada de vento, foste. Saíste com a esperança no
coração e uma vontade enorme de continuar a luta. E depois a luta acabou, de um
momento para o outro. Inspiraste e expiraste e pronto. Acabou. Chorámos todos a
tua perda. Abraçámos-te sempre. Mas a luta acabou e tu foste-te embora. E a tua
perda passou a ser a nossa perda também. A tua luta acabou por ser a nossa, em
dois anos e uns trocos, chorámos e rimos, rezámos e implorámos para que a tua
luta fosse frutífera. Mas não foi. A tua luta acabou. E com ela parece ter ido
uma parte tão importante de mim. Conscientemente, não fazia sentido que no fim,
a tua permanência acontecesse. Mas a tua ida fez um buraco em mim. Estou
constantemente à espera que apareças aqui ao meu lado e que me faças rir como
fizeste nestes dois anos. Egoisticamente, fazes-me falta. Tenho saudades tuas.
Não queria que tivesses ido. Não queria que te fosses embora, minha querida
amiga. Foste, em quase oito anos de trabalho, uma das poucas amigas que fiz.
Podia contar-te tudo e cortar na casaca
de quem quisesse e tu não te importavas e rias-te. Às vezes concordavas, outras
vezes não. Agora vou ter de esperar que este horror que te aconteceu melhore,
ainda que ligeiramente, só para poder dizer-te disparates outra vez. Não foi a
mim que me aconteceu mas continuo a sentir que deixas um gap maior que os outros antes de ti. Lembro-me de quando te conheci
e achei que eras entitled e como em 5 minutos mudei de opinião. Não te devia
ter acontecido isto. Não a ti, não a vocês. Não é justo que o caminho tenha
tido de ser este. Quando o choque me passar, acho que vou finalmente começar a
perceber o que se passou.
Só gostava de ter tido oportunidade de vos salvar aos
dois deste desgosto, desta tristeza. Gostava que tivesse sido up to me ajudar. E arruinou – ainda que
temporariamente – a minha vontade de trabalhar e de estar. Não é justo que
tenhas perdido o amor da tua vida, que tenhas lutado tanto – e ele! – para no
fim a batalha ter sido perdida. Nunca pensei, nem sequer ponderei que este
pudesse ser o desfecho. Como em tantas outras situações, a vida dá-nos uns
pontapés valentes, para andarmos para a frente, para nos mexermos da nossa
posição de conforto mas irra, era mesmo preciso esta lição? Não era.
Falei contigo no outro dia e fez-me tão bem. Fez-me
tão bem à cabeça saber que apesar de tudo estás bem e cheia de conforto. Acho
que te fez bem a ti também. Gosto que me consideres tua amiga, para mim isso é
uma honra. A tua amizade fez-me sempre bem. Nunca fiquei zangada contigo nem tu
comigo. Nunca me ofendeste e - acho que - nunca te ofendi. Vais estar sempre no
meu coração. Sempre. Disseste-me isso no dia em que te foste embora e agora que
já passaram mais uns dias, cada vez mais sei que tu vais estar sempre no meu
coração. Que a tua passagem pela minha vida também serviu o propósito de me pôr
os pés no chão outra vez.
O que eu espero para ti, minha querida amiga, é que no
futuro só haja alegrias e coisas boas. Se souberes o quanto gosto de ti saberás
o quão importante és para mim. Estou aqui. Estive sempre aqui. E estarei
sempre, sempre, sempre que precisares.
Adoro-Te minha amiga. Minha querida e importante
amiga.
Até sempre, Noo.
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