O sofrimento de uma criança durante a separação e - nem sempre consequente - divórcio de seus pais é inclassificável. Todos nós, que somos filhos de pais divorciados, sabemos que sim. As experiências podiam fazer-se, nem que fosse para chegarmos à mesma conclusão. O que nos afecta(ou) é sempre diferente. Começa logo por obviamente sermos todos pessoas singulares. Por isso, não vale a pena dizer(em) - psicólogos, advogados, juízes - que sabem o que vai na cabeça dos intervenientes. Nunca é o mesmo, de todas as vezes que um casal decide separar-se. E os filhos estão sempre no caminho, a não ser que vivam noutro planeta. Os nossos pais eram casados e separaram-se. Ou viviam juntos e separaram-se. De qualquer forma, a nossa infelicidade nunca vai ser igual à do próximo filho de pais divorciados/separados. Parece ser inevitável que os filhos sofram e é aí que quero chegar. Se os pais que se vão separar souberem isto de ante-mão, tornam as coisas mais fáceis para eles. Como filha, posso dizer-Vos que o tempo tratou de me limpar a alma e de me resolver - ou possivelmente, arrumar. Mas de todas as vezes que penso nessa época, lembro-me claramente da linha da frente da guerra. Lembro-me da linha da frente. No fim do dia, PAIS DIVORCIADOS ou SEPARADOS, que se LIXEM as vossas merdas. Desculpem a linguagem mas é mesmo assim. Arrastam os filhos para a chantagem emocional, muitas vezes, e dos outros tipos também. Tipo "se disseres que a tua mãe se mete nos copos, podes ficar a viver comigo." Uma criança com treze anos não percebe o que está em causa aqui. NÃO PERCEBE. Argumentarão, com certeza, que um miudo com treze anos sabe o que isso quer dizer. Só que não. Um miudo com treze anos nem sequer tem maturidade emocional ou psicológica suficiente para entender que ao dizer isso está:
- A dar pontos ao advogado do Pai ou da Mãe na batalha das custódias
- A destruir-se por dentro porque NENHUM FILHO NÃO GOSTA DA SUA MÃE ou DO SEU PAI
- A deixar a Mãe ou o Pai devastados, ainda que a Mãe ou o Pai percebam que ele o está a fazer contra si próprio
- E mais uma montanha de outras coisas...
É verdade que o acima pode não se aplicar à criança filha de BG e MMC, porque não os conheço. Mas todas as vezes que disse ou fiz disparates durante e nos anos imediatamente após o divórcio dos meus pais, foi porque achava que isso faria feliz um dos lados da batalha e por consequência faria mal ao outro. Porque raio quer um filho fazer mal ao seu pai ou mãe durante o divórcio? Porque percebe que isso faz o outro lado feliz. Mesmo que isso só queira dizer trocos a mais na mesada ou mais uns passeios à praia com a entidade parental com quem vivemos, isso na cabeça de treze anos, é muito bom. "Whatever, tanto faz", como diziam os Azeitonas. Se o meu Pai ou Mãe me disse que o outro é uma besta, que se mete ou meteu nos copos, que fuma demais, que toma comprimidos para dormir ou outra coisa qualquer, nós vamos nisso porque eles são o nosso exemplo. É neles que confiamos. Com treze anos, já sabemos imensas coisas, mas não sabemos o quanto isso pode danificar nossa actual e futura relação com os nossos pais e atrevo-me a dizer, com os nossos futuros cônjuges. É uma caca. É uma altura em que estamos cheios de hormonas, que nos odiamos e amamos 100 vezes por dia. Por isso, acho que só chegamos a ter uma noção do que se passou, do que dissemos e do quanto podemos ter magoado alguém, aos vinte ou vinte-cinco anos, talvez até mais tarde. Esta lavagem de roupa suja, nas redes sociais e revistas sobre a criança e o que alegadamente terá dito, é nojenta. Entendam, num modo um pouco à Chelsea Clinton relativamente ao filho de Trump, que tal defendermos as crianças deste casal, que não têm culpa do que os pais fazem ou fizeram, dizem ou disseram? Que tal não alimentarmos as merdices e mesquinhices dos adultos para que estas crianças sejam salvaguardadas? Serei eu uma das poucas pessoas que se preocupa com o presente e futuro destes dois meninos, que estão a ser arrastados pela lama nas revistas com o objectivo de vender? Estamos a falar de um pré-adolescente, numa escola em que provavelmente toda a gente sabe quem são a mãe e o pai, desde aos empregados de limpeza à direcção da escola. Por isso, apelo aos adultos, que se comportem como adultos, que não alimentem estas porcarias destas conversas, revistas, posts, capas ou outros. Deixem estas crianças em paz, deixem de os arrastar para tribunal, deixem de os fazer sentir que faz sentido irem para tribunal apontar o dedo ao outro, que é horrível, que bebe, que bate, que maltrata. Ninguém é perfeito. Não defendo nem apoio BG ou MMC. Defendo os pequenos miudos envolvidos nesta lama. Ponham as crianças acima dos vossos supostos interesses materiais ou outros.
Acima de tudo, defendam os vossos filhos, sobrinhos e netos para que não sofram mais do que o estritamente necessário, já que esse sofrimento é inevitável. Mas não usem as crianças como armas de arremesso, não usem as crianças. Amem-nas o melhor que sabem. É disso que eles precisam, de amor. De carinho, de atenção, de mimo. Façam-nas sentir que são o mais importante. Eles são vossos, tomem conta deles. No futuro, são eles que aqui estarão, ou não. E isso, isso depende inteiramente da família nuclear e da família que os rodeia.
Amem os vossos filhos. E, na medida do possível, deixem as merdas do divórcio fora das cabeças deles. Let that be only and exclusively your problem, not theirs.