segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os (meus) miúdos

Adoro ter filhos rapazes. Não tenho - obviamente! - nada contra raparigas, mas adoro ter filhos rapazes. São queridos com as Mães. Muito queridos. Atiram-se para cima de nós, seja qual fôr o estado de espírito e enchem-nos de amor. Sentam-se em cima de nós, rebolam connosco e sentem-se reconfortados com isso. Tenho a sensação que não interessa a idade que tenham, hão-de sempre achar que sou feita de borracha. Os (meus) rapazes são uma criaturas fantásticas. São pessoas cheias de bom coração, cheias de atitude. Acho que vêm o Mundo de uma maneira mais simples, ou mais directa, talvez. Sempre vi os meus amigos rapazes a resolverem cenas entre eles rapidamente com uma bofetada (ou outro sinónimo menos porreirinho para quem o leva). Acho que nisso, os rapazes são mais fáceis. Nunca consegui dar uma bofetada a uma amiga – ao invés, ficava retorcida, deixava de falar, metida a besta. Odeio isso. Acho que sempre me dei melhor com rapazes porque me via mais com facilidade nesse lugar do que o de menininha amuada. Não é que não amuasse – e continue a fazê-lo – mas é mais fácil ultrapassar a cena como eles fazem. A mim parece-me que sim, visto do meu lugar. Os rapazes acham que a(s) Mãe(s) é (são) feita(s) de um poder todo ele ultra-mega-hiper qualquer coisa. Vejo isso nos sobrinhos meus e emprestados, todo esse fascínio. Os olhos deles com o Pai, enchem-se de aventuras, de desenhos malucos, de loucuras voadoras, de castelos e soldados e coisas de rapaz. De desenhos animados que eu como Mãe, fujo a sete pés, tipo os PJ Masks, de que não sou fã. Mas eles, eles brincam aos PJ patetas, usam o Super-Poder de Réptil, de Gato ou voam como a Corujinha. Eu rio-me imenso com eles porque faço uma espécie de insulto aos desenhos animados e eles ficam fulos. Mas depois gozam também e riem-se comigo. Temos coisas que só nós fazemos, como o F, que se senta à minha frente à mesa e põe os pés descalços e normalmente GELADOS em cima das minhas pernas. Quando me zango com ele, responde-me que está a dar festinhas à Mãe. Ou o R, que não dorme bem se não me apertar até me saltarem os olhos das órbitas, porque “a Mãe gosta muito dos meus abracinhos”. É a verdade absoluta. Enquanto andavam os dois no Jardim de Infância chegava a estar 15 min para os deixar, porque “só mais um beijinho” ou “a Mãe pode vir buscar-me mais cedo?” ou “Mãe, hoje podemos ir só os dois para casa?”
De facto, não há nada como ser Mãe destes seres. Os meus principes, que me lambuzam toda quando me dão beijinhos, que querem sempre só mais cinco minutos de desenhos animados, ou convidar a troupe toda lá para casa às 18 de uma segunda-feira, quando tudo o que eu quero é ir directa para a cama, que só pedem coisas malucas para jantar tipo pão de pizza (house speciality under a lot of secrecy) ou o pão de hamburguer que a Mãe faz ou tartes de fiambre e queijo porque “eu não gosto de cogumelos, Mãe”. Eles são os melhores filhos e espero que sejam sempre. Mais que tudo espero que se venham a tornar os meus melhores filhos-amigos. Porque saiem ao Pai e têm um coração de ouro. Quando me zango e me dizem “A Mãe é má” eu normalmente respondo “má, feia, bruxa e carocha”. E eles correm para mim e dizem SEMPRE “a Mãe não é má, nem feia, nem bruxa, nem nada!a Mãe é a mais querida”. Como pode o pobre coração de Mãe não derreter, não ceder, não esquecer? Serei sempre a princesa deles.
Eu tenho três rapazes em casa. Também queriam? Não dou. São meus - mesmo quando às vezes os cedia temporariamente - só nos dias maus...

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