Quando os filhos aparecem, tudo
se torna uma loucura. A vida vira-se – e vira-nos
- em todas as curvas.
Ser Mãe é ter montes de trabalho.
Podia acabar esta frase de outra maneira, mas o trabalho, o de ser Mãe, é o tema.
O trabalho que eles dão. Os
filhos e as intermináveis dores de cabeça. As doenças, as noites sem dormir, as
alimentações, as estadias hospitalares, as estadias em casa por causa das estadias
hospitalares, as varicelas e os sarampos, os vomitados a meio (ou no princípio, ou
no fim) da noite, as imensas bronquio-coisas (porque não são todas lites), os
tubinhos, as fraldas, as infecções urinárias e de outras espécies, as otites,
as sinosites, e os montes de outras –ites.
Todas as Mães dizem:
“É incomparável o amor que (se) sinto(e)
pelos (meus) filhos.”
Costumo dizer aos meus: - “És o
meu R preferido” ou - “És o meu F preferido”. São mesmo. São as crianças de
quem mais gosto. São as pessoas de quem mais gosto. São as pessoas mais
importantes da minha vida.
Eu sei. É verdade. Todas as Mães,
boas* Mães dizem isto. As Mães que
dedicam - e se dedicam - a 30 ou 40 anos de maternidade intensa (ou será intensiva?).
MAS!
Não há nada no nosso crescimento
que nos prepare para ser Mães. NADA. Digo muitas vezes isto às minhas amigas
que não são – ainda – Mães. É a mais
pura das verdades. Começa cedo a falta de preparação para eles e para a chegada
deles. Nada nos prepara. Podemos ter tudo, como carrinhos da Porsche,
Maxi-Cosi’s, berços top notch,
lençóis egípcios de 3000 fios, e não estar preparados. Podemos ter - e
esperançosamente teremos – uma família com imensos truques e uma enorme
sabedoria sobre ser Mãe, Avó ou Tia. Mas elas (e eles) não estão lá sempre. E
no meu caso, eu não queria muito que lá estivessem. Não da primeira vez. Quando
eu tinha vergonha de dar de mamar em frente a quem quer que fosse (excepto o
Pai), quando eu tinha vergonha de não saber, quando a fralda ficava mal posta e
havia xixi ou cócó por todo o lado, quando eu tinha o meu corpo deformado e
ninguém me tinha dito que isso ia acontecer. Não havia nada que me pudesse
preparar para o que aconteceu. Ter o R foi a experiência mais aterradora da
minha vida. Poderá argumentar-se que tinha que ver com a tenríssima idade que
tinha na altura mas acho que se fosse hoje, quase 8 anos volvidos, estaria na
mesma situação. A segunda vez foi muito mais fácil e ainda assim, ter o F foi
mais assustador. Nos primeiros três meses, era um bébé que não dormia tanto
como o R, não comia tanto nem tão bem. E tinha - tem! – muito mais mau feitio
que o R. O trabalho que ainda dão – e ouvi dizer que é assim para sempre – é
impossível de contabilizar. Acho que sendo míuda (sou mulher, mas não me sinto
assim tão crescida), é mais complicado para nós, porque nós exigimos muito mais
de nós. Exigimos mais capacidade, mais energia, mais força e acho que acima de
tudo, (EU exigo de mim) muito mais paciência. Mas não a tenho sempre. E depois
irrito-me e chateio-me e no fim, fico triste e quando me dá, até choro por ter
sido má. Porque o trabalho que eles (não
sabem que) dão, sai com tanto esforço e tanta dedicação. E eles acham, na sua
infinita sabedoria, que educá-los, alimentá-los e dizer-lhes que não, é ser
mau.
A recompensa, é saber que inevitavelmente, no futuro deles – hopefully -, hão-de pensar na Mãe como a melhor, a que sabia
mais, a que fazia os melhores bolos e as melhores festas, e a que mais importa(va)
na vida deles. Eles são o melhor do Mundo, do meu Mundo. Também o será o dia em
que este trabalho muda, começa por diminuir, e eles preparam-se, saiem de casa para casar e
um dia, serão Pais.
E ser Avó, ouvi dizer, é muito
mais fácil!
*Com toda a modéstia que me é
devida.
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