Quando o sr. precisa terminantemente de entregar as
revistas à porta da papelaria e fecha a circulação da rua, está a impedir os meus
filhos de chegar a horas à escola. Quando o sr. estaciona o carro ao lado do
meu, em segunda fila, está a impedir os meus filhos de chegar a horas à escola.
Quando a sra. deixa o seu carro no meio da estrada para ir deixar os seus
filhos à escola, está a impedir os meus filhos de chegar a horas à escola. Quando
o sr. decide circular na berma mais à direita no eixo N-S, está a impedir os
serviços de emergência de circular por aí, caso seja necessário. Quando o sr. me
ultrapassa pela direita, está a pôr em risco a minha vida e a sua. Quando o sr.
conduz e manda mensagens ao mesmo tempo, está a pôr os meus filhos em risco.
Quando a sra. decide que só precisa de uma mão para conduzir porque a sua
chamada é muito importante, está a pôr o meu marido em risco. Quando os meninos
atravessam a estrada a correr, fora da passadeira, estão a pôr a vossa vida em
risco. Quando a polícia estaciona o carro em cima da passadeira, numa esquina,
estão a pôr a população em risco. Quando a Maria deixa o carro em cima do
passeio, está a obrigar uma mãe com um carrinho de bébé a passar na estrada - e
a pôr duas vidas em risco. Quando o António excede a velocidade permitida por
lei, está a pôr-se em risco, e à sua família. Quando a Teresa lhe buzina e você
decide que a atitude certa é levantar-lhe o dedo do meio, está a pôr a vida da
Teresa em risco. Eu estar dentro do MEU carro, de calções/saia, não te dá o
direito de espreitar para dentro do meu carro, e está a pôr-me em risco. Sou tão
mulher quanto a tua MÃE, a tua FILHA, a tua IRMÃ. Podia ser qualquer uma delas,
porque a realidade é que nem olhaste para mim. Reages antes de agires.
Quando TU decides que a tua vida é mais importante que
a dos outros, estás a pôr todas as vidas em risco. Quando impedes que te
ultrapassem pela direita – e estás a cumprir o código da estrada – mas podes
estar a pôr a tua vida em risco.
A TUA vida não é mais importante que a dos outros. Os TEUS
filhos não são mais importantes que os dos outros. O TEU carro não é mais
importante que o dos outros. A TUA pressa não tem mais pressa que a dos outros.
O respeito que deves aos outros deves exigi-lo também. A TUA condução agressiva
não é melhor que a condução passiva dos outros. O facto de eu ser mulher não
faz com que tu sejas melhor condutor que eu. Nem faz de mim melhor condutora
que tu. Andares sem luzes à noite põe-te em risco, mas põe-me a mim também. O facto
de tu te achares acima da lei não te põe acima da lei. O respeito e decência na
estrada deve ser tido em conta para que todos possamos estar em paz. O respeito
ensina-se. Os filhos vêem-nos a conduzir e a insultar, imitam e repetem nas
suas brincadeiras, um dia irão conduzir como viram conduzir. Queres mesmo ouvir
os teus filhos a repetirem o que dizes à frente dos teus netos?
Mais respeito na estrada - e na vida. E sempre, mais amor.
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