Quem me dera que o respeito estivesse em todos. Que fosse
natural para todos o respeito e a igualdade da (e pela) vida humana. Que não
houvesse quem se acha superior ou quem faz sentir inferior.
Quem me dera que fossemos bons, sem ser preciso andar
em guerra. Que não houvesse necessidade de discutirmos que “Deus” é melhor ou
pior, ou mais justo ou mais bonito. Mais que tudo, que fosse possível termos
paz entre todos os povos de todos os continentes.
Quem me dera que o amor fosse uma coisa óbvia e não
forçada. Que não fosse um sentimento estranho a ninguém, que todos soubéssemos
amar e ser amados, sem tretas.
Quem me dera que todas as crianças tivessem um colo
quando precisam. Que não víssemos todos os dias, cada vez mais, meninos sem
roupa, sem pais, sem família, sem ninguém. Que eles não fossem deixados à mercê
de intempéries, de criaturas horrorosas, de maus corações.
Quem me dera que as histórias de amor fossem as mais
noticiadas e não as histórias de guerra. Que todos os dias o telejornal abrisse
com notícias de mais crianças adoptadas por famílias decentes, de mais mulheres
que conseguiram finalmente ter o primeiro bébé, de mais míudos ingressados na
faculdade, da descida do número de incêndios, de mortos em guerras, de
desgraças monstruosas criadas - ou não - pelo ser humano.
Quem me dera que a inspiração dos jornalistas pudesse
ser sempre baseada no amor. Que só houvesse razões para celebrar o amor entre
nós, que a tolerância fosse partilhada de igual forma, ai quem me dera.
Quem me dera que as batalhas campais que se fazem nos
tribunais não fossem necessárias. Que não precisássemos de ser baixos, de ser
cobardes, de ser mesquinhos. Que fossemos todos honestos.
Quem me dera que pudéssemos todos viver em harmonia. Que
não se arremessasse ao próximo e o próximo com bardajonices, indecências. Afinal,
partilhamos uma mesma casa, sem que isso nos impeça de actuar como se fosse mais minha que tua. Não é. Esta casa é
de todos nós.
Quem me dera que não houvesse fome na pança de nenhum(a)
menino(a). Que houvesse para todos, em quantidades proporcionais. Que houvesse
tecto para todos, sonhos para todos e lugar para todos.
Quem me dera que o mundo fosse menos conflituoso. Que não
fosse sempre tudo uma razão para dar um soco ou um pontapé, para sair do carro
ou dizer uns palavrões.
Quem me dera que fossemos um bocadinho menos loucos. Se
assim fosse, eramos todos um bocadinho mais próximos, talvez. After all, somos
todos da mesma raça. Mas às vezes esquecemo-nos.
Quem me dera que todos tivéssemos mãe e pai, e que eles
fossem boas pessoas. Os pais que nos dão com conta, peso e medida: amor,
carinho, casa, comida, roupa, educação, livros, filmes, música, o mundo. Esses pais.
Quem me dera que no fim das nossas vidas todos pudéssemos
dizer que servimos um propósito, que deixámos uma marca, que deixámos o mundo
um bocadinho melhor.
Quem me dera que o resultado das vidas de cada um de nós
fosse e tivesse um impacto positivo.
Quem me dera...
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