sexta-feira, 13 de abril de 2018

A arte de se ser intolerável


As coisas que dizes e fazes afectam a vida das outras pessoas. As palavras têm impacto na vida dos outros. As atitudes também. A força, ou falta dela, dos outros não deve NUNCA ser razão para te aproveitares e subires. 
Não passes por cima dos outros. Não sejas assim. As pessoas assim podem ter lugares importantes e até amigos mas não são felizes. Chutam antipatias e deseducações contra os outros, numa esperança de se sentirem melhor consigo próprios, de se sentirem fantásticos, mas no fundo, são apenas sanguessugas. 
Pond scum. Têm naturalmente mau carácter, má índole e a mania. A mania que sabem tudo, a mania que conhecem tudo, que já experienciaram tudo e por isso a mania que têm um dom que nós, comuns mortais, não temos. Ser mal educado não é um asset. Ser mal educado e mal formado é ser podre. E pobre de espírito. Não sejas assim. Que bom teres mau feitio. Que bom. Ganhas imenso com isso. Já conheci várias dezenas de pessoas com mau feitio. Mas ter mau feitio é demonstrativo de personalidade e de carácter. Ser deseducado e mal formado não. É de baixo nível. E só demonstra que não prestas. As pessoas que não prestam normalmente ficam sozinhas. Até porque honestamente, quem é que quer ter como amigo ou companhia uma pessoa de má índole? Ninguém. E ser imprestável fica(-te) mal. 
Quando BP disse: “Deixa sempre o Mundo um pouco melhor do que o encontraste”, era também a isto que ele se referia. Se fizeres um bocadinho pelos outros todos os dias, estás todos os dias a demonstrar que vales a pena. Que vale a pena seres um ser humano, que vales o ar que respiras. Mas, se ao contrário, só vives bem a cuspir nos outros, não só não trazes nada de inovador ao Mundo, como estás a torná-lo pior. Ser bully na infância é mau, mas a uma criança é possível explicar porque é que não o deve ser e as consequências de o ser. Mas, se ao contrário, és adulto e continuas um bully, é porque não só não prestas, como não mereces a consideração que eventualmente alguém ainda possa ter por ti. Seres intolerável não faz de ti uma pessoa interessante, faz de ti imprestável. E, mais uma vez, o que não presta deve ser deitado fora, sob pena de apodrecer o que está ao ser redor.
Se não és sequer capaz de pensar que aquilo que dizes pode e afecta a vida e os sentimentos dos outros é porque não devias viver em sociedade. Se te comportas como um bicho, deves viver com(o) eles. Os outros seres humanos do Mundo não deviam (ter de) estar expostos a ti, ao teu veneno e à tua crueldade.
O facto de achares que o que dizes não tem mal demonstra bem o que pensas dos e nos outros, ou seja, NADA. A tua pequena cabecinha não concebe que os outros, esses de estirpe baixa, intocáveis e reles seres humanos com quem tu tens o aborrecimento de partilhar o planeta, não têm sentimentos nem são dignos de, ainda que temporariamente, fazer parte dos teus mais infímos pensamentos. No fundo, o que interessa és tu. O teu umbigo também, claro.
Valha-nos o facto de, por ora, sermos a maioria. E claro, de a tua existência não ser coisa de interesse público.

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